25/01/2011

LANÇAMENTO DE : a palavra é E fantasias para quando vier a chuva NA LIVRARIA DA SILVIA


Nesta quinta, 27/Janeiro, Samantha Abreu e eu...rs...Beatriz Bajo faremos novo lançamento dos nossos livros "Fantasias para quando vier a chuva" e ":a palavra é" (integrante do box tríade).
O lançamento será na Livraria da Silvia, a partir das 19:30h.
A Livraria fica na rua Belo Horizonte, 900 (esquina com Pio XII).
A gente tem muita coisa bacana pra te mostrar lá, inclusive uma discotecagem com o Dj Loof Mayanga.

Esperamos você!

beijobeijo

22/01/2011

O SUSSURRO NOS VÃOS DOS DIAS

O SUSSURRO NOS VÃOS DOS DIAS

impressões sobre Outros Barulhos, de Reynaldo Bessa


Eu não sabia o que ia acontecer até ler este livro

posso dizer que ele não saía da minha bolsa

e era um atrevimento de espionar o que de tão meu poderia caber

ao seu lado – tudo bem, com meu consentimento –

mas eu estava totalmente

ingênua nisso

em relação ao sopro que ele exerceria sobre meus dias

silenciosos.

É isso...o barulho de Outros Barulhos vem de seus olhos

refletidos nos de sua mãe

e das palavras, sempre elas que

“se chocam no ar, outras rolam pelo chão” (30)


O ritmo do poeta-músico é forte como a gravidade

da nota acertada no meio do peito-livro

– que “se enche de universos” (86) –

em que me debruço

ao mesmo tempo em que desliza tênue sobre as ideias folhadas

assim dispara Reynaldo: “Escrevo/ porque sou viciado/ no movimento/

das incertezas" (83)


e foi então que ele (o poeta) disse-me com a palavra

mais deslavada, assim, numa audácia de trincar os olhos

os seguintes versos requintados:

"construo bombas para um dia

explodir os

seus silêncios" (94)


ok! explodir meus silêncios faz parte dessa arquitetura

besseana de deflagrar meu assombro diante de sua obra

haja vista que “isso não é um poema é uma vida, a dele./

há sangue nas entrelinhas.” (grifo meu, 114)

a poesia de Bessa é arrebatadora exatamente por isso,

porque é de uma sinceridade comovente, à espreita da vidinha,

aquela que está ao alcance de qualquer um que a olhe com os canais

do estranhamento ligados pela intimidade com o arrepio do existir


falar de Outros Barulhos não é difícil pelo seu imediato

reconhecimento no contexto literário,

nem porque Reynaldo Bessa é um músico e compositor talentoso,

com especial habilidade para tratar de palavras e sons

mas, porque agora ele lida com outros barulhos, os de dentro

dentro desse silêncio atordoante que é a poesia,

porque ele trabalha com o silêncio que dói

que entala, que nos engasga...como diz:

“e esse mundo preso na garganta que não desce nunca?” (27)

um mutismo que pode nos destronar,

mas também pode ser construtor, no seu caso, de mundos outros


o poeta escolhe versos curtos, flashes cotidianos

embaçados pelos tempos que se embaralham dentro

da vida: “apenas um dia/ que despencou do/ calendário” (37)

e essa vida é recheada de reveses, desapontamentos,

desencontros, e demasiada sensualidade.

tão adaptado ao trabalho manual de pegar as palavras,

tropeça com a pele de palavras que escrevem o corpo desejado:

“seu corpo

é o único argumento

que não sei

refutar” (104)


ainda, descreve um coração insubordinado, relutando

com as profundezas de um ser compartilhado consigo

próprio. Reynaldo oferece-se partido ao presente,

“meu coração é um filho rebelde

ouve música às alturas, usa piercing,

fala estranho e está cagando pra mim.”,

em que peleja entre o racional e o emotivo,

novamente conjuga tempos e transita

entre os papéis hierárquicos existentes

na instituição familiar, tão aclamada neste livro

de ascendências


no entanto, há momentos de declinações flagrantes

que perturbam nossas percepções como “uma notícia estupidamente vermelha,”

deflorando a banalidade dos dias: “é dura feito pedra e/ voando veloz estilhaça a/

janela dos meus sonhos (53)

na obra que caminha em busca de alcançar o espectro da

paternidade, insígnia desfraldada pela voz tão proeminente masculina

dos versos de Outros Barulhos, o poeta conta que se lembra bem

apenas de um homem:

“costeletas aparadas e

cheirando a creme de barbear

caminhava com o andar que agora é meu

trazia os olhos longe, um sorriso torto e

estradas entre os dentes...” (88)


morando entre adeus adiados, Reynaldo nunca se despedirá

da fragilidade pueril de seus tempos miúdos

porque carrega a delicadeza

no colo dos versos: “meus pés balançavam as estrelas,”

e entende a brutalidade da vida sublimada na poética

das sutilezas: “como pode alguém com fome/

ter medo de relâmpagos?” (18)


Bessa fabula exatamente relâmpagos neste livro.

há momentos de versos cintilantes que

permanecem latejando por dentro

dos entendimentos

ou resplandecendo onde não se entenderá nunca nada

pois, se o poeta diz: “seus olhos/ são meu livro de cabeceira” (107),

eu digo que seu livro está na minha cabeceira,

de olhos desabotoados

comendo minhas quietudes,

vasculhando o que há na minha bolsa

e não parará de fazer uns, certos, vários, todos

os mesmos ou outros barulhos.


referência:

BESSA, Reynaldo. Outros Barulhos. Belo Horizonte: Anome Lvros, 2008



sobre o autor:

Reynaldo Bessa é cantor, compositor e escritor. Cinco discos lançados. Lançou seu primeiro livro de poemas "Outros Barulhos" em 2008 (Prêmio Jabuti 2009) que concorreu ao Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2009.

11/09/2010

Semana Literária no Sesc Londrina

a partir de segunda agora, dia 13 de setembro, o Sesc Londrina apresenta a Semana Literária e está um luxo. confiram.

Informações:
Sesc Londrina centro - 3378.7800 / 3378.7831 / 3378.7830
Sesc Londrina aeroporto - 3378.7879
  • os convites para as mesas e palestras podem ser retirados no SAC do Sesc Londrina e Sesc Aeroporto (2 por pessoa)
  • as escolas podem agendar turmas pelo telefone 3378.7830 com Vera
  • os interessados em obter certificado da UEL devem ter 80% de participação nas mesas e palestras e fazer a solicitação pelo sitewww.uel.br mediante taxa de R$ 5,00



18/05/2010

LANÇAMENTO Da face do fogo EM SAMPA E NO RIO


Beatriz Bajo escreveu um livro de fotografias. A danada fricciona uma pedra na outra até que uma labareda dê sua graça. Não é metáfora, é realismo químico. Palavras se roçam, imagens explodem, ao leitor é só preciso fruir por suas linhas dançantes. As propriedades do fogo são colocadas em lâminas, página a página. Ora o texto rebola seu contorno azul, frio. Ora o texto é o centro da chama, fixo e irradiador.

Há muitas despedidas, algumas como resultado de um rompimento, outras como um distanciamento calculado do objeto. Ação e reação, sempre numa agonia, numa vigilância para que o vento não escureça o quarto, apagando a vela.

A face do fogo é um livro para muitos, e é certo que ele se espalhará, começando por você.

Andrea Del Fuego (orelha)


Lançamento de CONVERSAS COM EMILY DICKINSON, de Marcelo Ariel


Hoje (18/05) tem lançamento delicioso. Marcelo Ariel autografa seu quarto livro - Conversas com Emily Dickinson -, no bar Exquisito (Rua Bela Cintra, 532 - Consolação), às 20h.
Eu sou uma fã da obra do Mar, sobretudo, uma fã do ser que mora neste mar imenso e cheio de poesia e que merece os cumprimentos porque seus versos são para além das fantasmagorias nossas de cada dia.
Estou felizfeliz por poder estar ao lado do meu parceiro poético em mais um presente ao cenário literário contemporâneo.
Ariel também inaugura o selo Orpheu, editado por Anderson Fonseca e revisado por mim.

Vamos abraçá-lo.

hasta pronto!

12/04/2010






VINTE VEZES COYOTE

Dossiê com o poeta e artista plástico Rodrigo de Haro, poemas do dramaturgo Mário Bortolotto, conto do poeta norte-americano Delmore Schwart, fotografias de Egbertoogueira e relatos oníricos da portuguesa Anna Hatherly são destaques do novo número da revista COYOTE, lançada com duas capas diferentes

"A linguagem da poesia será fatalmente constituída por sucessivo espanto, ou não será nada". É o que afirma em entrevista o poeta e artista plástico catarinense Rodrigo de Haro (1939), no dossiê dedicado à sua obra poética no novo número da revista de literatura e arte Coyote. Editada em Londrina (PR), traz também dois textos inéditos do livro Um Bom Lugar Pra Morrer, de Mário Bortolotto e quatro fragmentos de Exercícios de Estilo, obra do francês Raymond Queneau, um dos autores mais experimentais da literatura francesa do século 20. Maurício Arruda Mendonça apresenta e traduz (do japonês) os haikais da nipo-londrinense Mityio Sugimoto. A revista apresenta ainda o conto "Nos Sonhos Começam as Responsabilidades", do poeta norte-americano Delmore Schwartz (1913-1966), e, pela primeira vez no Brasil, poemas do beat Bob Kauffman (1925-1986).

Seguindo em seu compromisso em revelar novos talentos, a Coyote 20 apresenta também poemas de Samantha Abreu, Luiz Felipe Leprevost e Ponti Pontedura. Outra novidade da edição são as duas capas diferentes com fotos de Egberto Nogueira.

Em seus oito anos de atividade, Coyote prossegue abrindo espaço para novos autores, resgatando e apresentando nomes importantes das letras e das artes, de épocas e lugares diferentes, instigando a reflexão e a criação literária. A revista é patrocinada pelo PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) da cidade de Londrina.

COYOTE é editada pelos poetas Ademir Assunção, Marcos Losnak e Rodrigo Garcia Lopes. Projeto gráfico de Marcos Losnak. Distribuição nacional (em livrarias) pela Editora Iluminuras.

COYOTE 20 // 52 páginas // R$ 10,00

Uma publicação da Kan Editora. Vendas em livrarias de todo o país pela Editora Iluminuras – fone (11) 3031-6161 (site: www.iluminuras.com.br). Pode ser adquirida também na internet pelo Sebo do Bac: www.sebodobac.com

Contatos: losnak@onda.com.br / rgarcialopes@gmail.com / zonabranca@uolFone: (43) 3334-3299 / (11) 3731-3281

PATROCÍNIO: PROMIC - PROGRAMA MUNICIPAL DE INCENTIVO A CULTURA – SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA DE LONDRINA (PR) .

11/01/2010

o tempo visto pelas mãos de Ernani Fraga

foi uma alegria receber o primeiro poema do ano de um grande amigo. Ernani Fraga é de uma delicadeza que só a poesia pode explicar. ou, desexplicar de vez.
fiquem com ele dentro deste.


TEMPO

tempo...

substantivo magro, malogro masculino,

amálgama desatento com delicadeza áspera

de cheiro de chuva na terra

madeira verde no fogo

memória do pó, da pedra, do excremento,

escarafuncha

o chão

dos horizontes findos

a poeira é a

do amestrador de silêncios

são lírios

de sons em asas líquidas, escorre

- de joelhos, contrito –

pelos tijolos lúbricos,

engonços, rachaduras,

ternuras e vilezas

no frontispício do momento súbito,vago, poliédrico

de ave, de peixe, de amante, tronco ou árvore

ontem

: voeja

flor de corte e solo misturado

: finca

no coração ardor de prego

em brasa no palor líquido, incompressível

nos ângulos dos vôos livres

mas fibrila

a tarde amarela, agiganta

- repentino - o que por bem tinha calado

ou feito pequenino

e é por isso

é por isso que há tempos

no tempo eu exista assim

inclemente, impenitente, verbo velho,velhaco,

insubsistente

paisagem assimétrica, monturo,

mutante (incoerentemente sempre menino)

na espiral constante da embriaguez adunca que ora é pressa

ora é eternidade

ora não passa nunca


Foto de Carlos Savasini


ERNANI FRAGA, paranaense de Campo Mourão, é advogado formado pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo/SP. Atuou como ator nas peças A Falecida, de Nelson Rodrigues, e Fando e Lis, de Fernando Arrabal, ambas sob direção de José Luiz Sconi; e na peça infantil Um elefantinho incomoda muita gente, de Oscar Von Phul, sob direção de Luis Camargo; Foi membro de Marcas Nossas – Grupo de Arte, tendo publicado, em parceria com Sueli de Souza e Edson Natuesper, o livro Marcas Nossas, cujos poemas deram ensejo à montagem do espetáculo Recital Noturno nº 1, levado à cena pelos próprios poetas na Casa de Chá Erva Doce, em São Paulo. Participou das antologias Exóticos e Livres, Contos de Fim de Século e As Várias Faces da Morte, com os contos intitulados A última Palavra, Uma notícia para Deise e Rachel. Colaborou com as publicações santistas Mirante, Zênite, Poetizando e Cabeça Ativa, em cujas páginas teve poemas publicados. Foi membro do Clube de Poetas do Litoral. O seu poema Cartas foi publicado no Informativo Cultural Clips n. 14 da Secretaria de Cultura de Santos/SP. É autor de Ponte Necessária e Vermelho (de poesia) e das peças teatrais O Caos das Coisas, Uma ilustração Farsesca, Títeres e o O Pai e os filhos. Tem textos publicados em jornais e em sites na internet. Foi membro do Centro Contemporâneo de Dramaturgia, dirigido por Paula Chagas Autran. Foi membro do grupo de poetas Rascunhos Poéticos, coordenado pelos poetas Carlos Savasini e Osvaldo Pastorelli, na Casa das Rosas, em São Paulo. Em 2009 dirigiu a leitura encenada de contos Eu também sou Maria, de Leonel Possatti. Vive em São Paulo desde 1971.